06

— Que ninguém me perturbe, estou ocupado — ordenou com um tom que não admitia réplicas.

Valeria revirou os olhos. "Claro, ocupado", pensou com ironia. Ela sabia que ele não se referia exatamente a assuntos de negócios. Estava com a noiva, a mesma que acabara de esbarrar nela no corredor.

A tontura se intensificou, uma vertigem que a fez cambalear. Pela segunda vez, correu para o banheiro. Agarrou-se à parede, sentindo a bile na garganta. Trancou a porta abruptamente, apoiando-se na pia antes de se ajoelhar diante do vaso sanitário. As ânsias não demoraram a vir, e o esforço a deixou sem fôlego, com um tremor percorrendo todo o seu corpo.

Ao terminar, lavou a boca, jogou água fria no rosto e olhou-se no espelho. Seu reflexo era o de uma estranha: pálida, com olheiras profundas e os olhos injetados. Sentia-se esgotada, como se cada fibra de seu ser estivesse prestes a romper.

"Preciso ir ao médico", disse a si mesma. A ideia de um check-up a assustava, mas a persistência das náuseas era alarmante. No entanto, sua mente racional encontrou uma desculpa: o estresse. O inferno em que vivia, as humilhações diárias de Alexander, a pressão constante. Não era de se admirar que seu corpo reagisse assim.

Saiu do banheiro sentindo-se um pouco melhor, mas ainda instável. Foi até sua mesa e decidiu comer algo, quando uma funcionária apareceu com o rosto preocupado.

— Valeria, preciso que me faça um favor, entregue isto ao chefe. É algo importante.

— Não posso, o senhor Baskerville está ocupado e pediu para não ser incomodado.

— Abra uma exceção, por favor.

Ela assentiu e a outra, agradecida, saiu. Valeria bateu à porta algumas vezes e, sem obter resposta, entrou assim mesmo.

— Senhor Baskerville, preciso lhe entregar algo urgente.

Dina virou-se para olhá-la com desdém.

— Amor — soltou a mulher, com voz aguda e altiva —, quem é esta... pessoa?

Seu olhar pousou em Valeria, analisando-a de cima a baixo com desprezo palpável.

— Ela é a nova assistente temporária que contratei — explicou Alexander, olhando para Valeria em seguida. — Eu não pedi que não queria interrupções?

"Assistente temporária? É essa a descrição para a sua 'garota de recados'?", pensou Valeria. Ela limpou a garganta.

— Sinto muito, é urgente.

A noiva riu, uma risada condescendente.

— Ai, Alexander, sempre tão... caridoso — debochou, sem tirar os olhos de Valeria. — Bom, já que está aqui, poderia buscar minhas compras? Deixei no carro.

Valeria sentiu a impotência consumi-la. Ela era a nova criada? Olhou para Alexander em busca de algum sinal, mas ele apenas a observava com um sorriso sarcástico. Ela se aproximou, deixou o envelope na mesa e olhou para a loira.

— Com prazer, senhorita — sussurrou Valeria.

De repente, a mulher jogou sua bolsa de grife no chão.

— Pegue antes de ir — pediu, rindo.

Valeria se abaixou para recolher a bolsa. Naquele exato instante, um calor inesperado se espalhou por suas pernas. Sentiu um líquido escorrer, morno e pegajoso. Um terror gelado percorreu sua espinha.

A noiva a olhou com nojo, levando a mão ao nariz.

— Que nojo! Que descuidada! — gritou com repulsa. — Alexander, olha isso!

Alexander, que até então se divertia, parou abruptamente. Seu olhar fixou-se em Valeria, que cambaleava. Um vislumbre de preocupação cruzou seus olhos antes que seu rosto voltasse à expressão brusca habitual.

— Não é hora para brincadeiras — disparou Alexander para a noiva, com a voz num rosnado.

Dina, surpresa, reclamou e saiu furiosa. Alexander aproximou-se de Valeria, que tentava se cobrir com as mãos trêmulas.

— Valeria, você está bem? — perguntou ele, com a voz menos áspera. Tentou tocá-la, mas ela se encolheu.

— Me deixe em paz! — resmungou ela, afastando-se bruscamente.

Ela saiu do escritório como um raio, tropeçando nos próprios pés. Mas mal chegou ao corredor e a visão nublou. O chão girou, a escuridão a envolveu e ela caiu inconsciente.

Quando acordou, estava sob uma luz suave. Abriu os olhos e encontrou o par de olhos acinzentados a observando com intensidade inquietante. Era Alexander.

— Você esteve a ponto de perder os bebês — soltou ele, sem preâmbulos, com a voz dura como mármore. — Você está grávida de quadrigêmeos. E serei direto: se esses bebês forem meus, livre-se deles. De qualquer forma, você não vai tirar proveito disso; afinal, assinou o acordo de isenção.

Valeria sentiu o mundo desabar. Quadrigêmeos?

— Bebês? E... eles não são seus — mentiu, sem saber por que recorria à falácia. — Não têm nada a ver com você!

Alexander deu de ombros com uma indiferença que a gelou até os ossos.

— Naquela noite usei proteção — recordou, como se quatro vidas não importassem. — Talvez tenha engravidado de outro.

— Você é um idiota. Mas não pode decidir por eles, a escolha é minha! — rugiu ela, com vontade de chorar convulsivamente.

Ele se aproximou do rosto dela, ameaçador.

— A última palavra é sempre minha, Valeria. Tenho certeza de que não quer saber o quão aterrador eu posso ser. Você tem apenas alguns dias para resolver isso.

Ele se afastou com um sorriso de mofa.

— Não te acho tão tonta. Saberá o que é melhor se quiser evitar problemas. Ah, já paguei todas as contas do hospital. Considere que seu castigo por ser ladra terminou.

E saiu sem dizer mais nada. Valeria ficou sozinha e aterrada.

"Você recebeu uma transferência de 50.000 dólares", leu no celular minutos depois.

"Embora não sejam meus, você poderia considerar a ideia do aborto com o dinheiro que enviei. Seja cuidadosa da próxima vez", dizia a mensagem direta de Alexander.

Ela estava decidida a colocá-lo em seu lugar. Mesmo em choque, pensou no casamento dele com aquela loira malvada e decidiu arruinar seus planos.

— Vou tirar sua máscara diante de todos, Alexander. Vou arruinar sua vida, assim como você me feriu!

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