O amanhecer chegou como um golpe seco contra minha pele já sensível. O quarto estava silencioso, e o frio da ausência dele era quase reconfortante. Meu corpo tremia — não pelo frio da manhã, mas pelo medo que agora me consumia. Sabia que, se Alejandro estivesse ali, eu não conseguiria esconder nada. E eu não podia desabar diante dele.
Virei-me devagar e agradeci mentalmente por ele não estar no quarto. A cama ainda guardava o cheiro dele, e isso me fazia sentir exposta, como se a noite anterior ainda estivesse impregnada na minha pele.
Com esforço, levantei. Cada passo parecia doer mais do que o anterior. Fui até o banheiro, o mesmo onde ele provavelmente escovava os dentes todas as manhãs, sem pedir permissão — porque, depois da noite passada, havia um tipo estranho de liberdade no ar… ou talvez fosse só desespero.
Liguei o chuveiro e deixei a água escorrer pelo meu corpo. A água quente ardeu onde havia marcas. Um fio de sangue escorreu pelo meu nariz e caiu no chão branco. Olhei par