Aff, não sei o que fazer.
Quando a vi com aquela beca, para mim, ela era a mais bonita de todas. Só que eu não estava preparado para vê-la naquele vestido vermelho; ela estava deslumbrante. O tempo pareceu parar. Eu queria ir até ela e falar tudo o que sentia, mas não tive coragem.
E quando aquele tonto do Daniel falou aquelas coisas... vi o brilho nos olhos dela murchar. Senti uma dor imensa ao ver a mágoa que causei. Por que fui tão idiota de falar tanta merda da pessoa que eu mais admiro e que tem um lugar tão especial no meu coração?
Sempre tive muito medo de que o Gabriel descobrisse que eu a amava. Fiz e disse coisas estúpidas só para manter distância. Como fui burro! Aquele André não é bobo e não tira os olhos dela; ele sabe que, se der mole, vai perdê-la.
Na Pista de Dança
Kate estava dançando com a Bia. As duas riam e se abraçavam, cantando juntas como se o mundo lá fora não existisse. Vários caras se aproximavam delas, mas as duas nem davam bola; só queriam estar juntas e curtir o momento.
— Amiga, você não me disse que seu irmão é um gato! — Bia gritou por cima da música. — E o que falar daquele amigo dele? Cara, eu percebi que ele não tirava os olhos de você.
— Talvez seja porque eu estou um pouco diferente agora... — respondi, tentando ignorar o aperto que ainda sentia no peito.
O Nick finalmente admite para si mesmo que agiu por medo de perder a amizade do Gabriel, enquanto a Bia nota que o olhar dele para a Kate é impossível de disfarçar.
O Encontro Inesperado
— Amiga, aquilo é olhar de interesse e até o André percebeu — comentou ela, com um sorriso cúmplice. — Falando em André, você não gostou do Daniel? Ele é bonito e tudo, mas não me chamou atenção. Não, gostei do seu irmão, apesar... O que você vai fazer? Calma, tá?
— Mandei uma mensagem para ele vir dançar — respondi, tentando manter a voz firme enquanto guardava o celular.
— Eles estão vindo? — ela perguntou, os olhos brilhando de expectativa.
— Sim. O amigo gostoso dele está vindo também.
— Oi, meninas. E aí? Foi aqui que pediram companhia para dançar?
Então, sem muita cerimônia, começamos a dançar. A música nos envolvia, e a Bia logo se afastou com Daniel, nos deixando mais próximos. Nick deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre nós, e passou a mão na minha cintura. Instantaneamente, meu corpo enrijeceu. Senti o calor do seu toque e ele se inclinou, sussurrando perto do meu ouvido que eu estava linda.
Logo que tentei me afastar um pouco para recuperar o fôlego, percebi que ele não desviava o olhar da minha boca. Havia um encanto naquele olhar, algo magnético que parecia me chamar, me sugando para perto dele. Quando finalmente tomei coragem e dei um passo para me aproximar ainda mais, a voz de André cortou o momento:
— Oi, amor! Estava te procurando.
Fiquei sem jeito, sentindo o rosto esquentar. Para disfarçar a tensão, saí com o André. Enquanto nos afastávamos, perguntei onde ele estava, e comecei a inventar qualquer desculpa para o meu sumiço repentino...
Com os meninos lá fora, finalmente sentamos um pouquinho. Eu disse que meus saltos estavam me matando, implorando:
— Me tira daqui!
— O que você vai fazer? — ele perguntou, arqueando a sobrancelha. — Vou te dar uma massagem.
— Aqui não — respondi rápido. — Então você quer ir em outro lugar?
Fiquei sem saber o que falar. O André era muito paciente comigo, mas me senti salva quando o Gabriel me chamou para ir embora. Ele era o responsável por mim, já que a mamãe tinha ido embora mais cedo.
— Então tá — falei para o André. — Amanhã a gente se vê.
Dei um beijo nele e saí com o Gabriel. No caminho, perguntei pela minha amiga:
— Cadê a Bia? Ela não estava dançando com você?
— Ela já está esperando lá fora — Gabriel respondeu.
— Não me diga que deu match! Ah, ela é linda e super simpática.
Chegamos perto do carro e, de fato, ela estava lá, mas não sozinha. O Nick estava com ela. "A amiga me abandonou na pista", pensei, "não é como se você estivesse sozinha...".
— Cadê o André? — ela perguntou assim que nos viu.
— Ele ficou mais um pouco com os primos dele — expliquei.
— Ah, tá. Então vamos.
Entramos no carro. Eu me sentei no banco de trás, sentindo o olhar do Nick sobre mim, e logo percebi que a noite ainda teria seus desdobramentos...achando que o Nick iria na frente, mas me enganei. Ele sentou atrás comigo. Fiquei super desconfortável, sentindo o espaço do carro diminuir drasticamente, mas fazer o que, né?
— E aí, mana? Animada para ir para a faculdade? — a voz do meu irmão quebrou o gelo.
— Animada é pouco! — respondeu Bia, eufórica. — Estamos contando os dias. Imagina aquele mar de gente... e muito homem gostoso!
Gabriel riu do jeito que ela falou, mas logo retrucou:
— Por que você está rindo? — ela perguntou, desafiadora.
— Do seu jeito de falar que vai ter um monte de homem gostoso. Bom, só de olhar para você e o Nick, já dá para ver que passar fome não vamos, né? Porque é impossível não ter outros assim por lá.
O comentário dele ficou pairando no ar, e eu, em silêncio no banco de trás, só conseguia pensar no quanto aquela nova fase na faculdade prometia ser muito mais intensa do que eu imaginava.