O caminho de volta do hospital foi ainda mais silencioso do que na ida.
Aurora observava a cidade pela janela do carro, mas não enxergava os arranha-céus, as luzes ou o trânsito de Nova York.
Tudo o que via era o rosto do pai.
As lembranças vinham em flashes desconexos.
O cheiro forte de bebida.
Os gritos ecoando pela casa pequena e abafada onde crescera.
A voz da mãe chorando.
O medo constante.
E, por fim, a noite em que tudo mudou.
A surra.
A dor.
O sangue.
A sirene.
O hospital.
E o olhar de