Marina Duarte sempre acreditou que a vida recompensava quem trabalhava com honestidade. Aos vinte e sete anos, ela ainda repetia essa frase em silêncio todas as manhãs, como se fosse uma oração curta antes de entrar no prédio espelhado da Verdan Group, uma das maiores empresas de tecnologia e investimentos do país. Ela não ocupava um cargo de destaque. Era assistente administrativa no setor de contratos, cercada por planilhas, documentos, prazos e pessoas que quase nunca percebiam sua presença. Ainda assim, Marina fazia tudo com cuidado. Conferia nomes, datas e cláusulas como quem protegia algo precioso. Naquela segunda-feira, porém, o cuidado não foi suficiente para impedir o desastre. — Marina, a reunião do Conselho foi antecipada — disse Paula, sua supervisora, entrando apressada na sala. — Preciso do dossiê do projeto Aurora agora. Marina sentiu o rosto esquentar. — Agora? Mas a revisão final seria às onze. — Era. Agora é em vinte minutos. O projeto Aurora era o maio
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