Mundo ficciónIniciar sesiónCasal de amigos, de gerações diferentes, tem juntos um prejeto musical e partem para o exílio no início da pandemia para fazer música num rancho isolado. Ali relembram de fatos do passado sob uma nova perspectiva.
Leer másEntão Zími contou a Mila Cox que naquele momento Brito em sua lembrança era apenas o filho do Britão, que é um tipo de pessoa que não se enquadra no que se espera de um mundo renovado depois da pandemia.Pelo que podiam saber através de seu perfil na internet, Brito parecia estar bem e não ter tido qualquer problema com o fato de se manter em isolamento. Estava à beira dos cinquenta anos e provavelmente estava em seu apartamento vendo o mundo em chamas pela televisão, ironizando o fato de que as pessoas votam para isso.Zími pensava então em como estariam os outros dos quais lembrou para poder situar Brito em seu passado. Provavelmente não os reconheceria na rua, por trás da máscara e do tempo que passou.
Os moradores mais velhos do condomínio viviam apáticos em seus microcosmos, cheios de medo na fase final de suas vidas. Se pudessem imaginar o que aconteceria com o mundo a partir de 2020 estariam mais tranquilos por terem certa longevidade garantida antes da pandemia.Tinham medo do dia seguinte. As crianças descontroladas viviam sofrendo com a falta de espaço e estavam sempre cheias de energia ruim por causa do excesso de açúcar no organismo.A repressão sobre elas vinha das câmeras instaladas nos elevadores, nas escadas e no hall de entrada do prédio. Através do canal de TV que transmitia o que essas câmeras captavam, Brito assistia de seu apartamento a essa movimentação sufocada e lembrava que em seus tempos de criança as coisas eram diferentes.Mesmo sendo ele um cara que também
Brito pediu enfaticamente a Vânia para que fosse discreta na sua chegada ao prédio dele. Tinha pedido com antecedência ao porteiro que quando Vânia chegasse ela subisse sem a necessidade de interfonar. Isso só para que seu pai não ouvisse o interfone do outro apartamento.As cozinhas dos apartamentos de Brito e de Britão eram dividias apenas por uma parede e de um lado era possível ouvir o interfone do outro apartamento caso houvesse algum silêncio. A mãe de Brito havia viajado no dia anterior para o casamento de uma sobrinha. Era prima de Brito e tinha trinta e um anos.Brito havia perdido o contato com todos os seus primos, mas lembrava de quando essa garota nasceu. Manteve algum contato com ela e suas irmãs até a época em que essa que se casaria tinha doze anos.
Quando voltou para casa naquela noite, Brito não estava tão bêbado. O conserto em seu banheiro tinha sido efetuado com sucesso.O conhaque tinha sido dividido por três caras que gostavam de bebida e por isso a quantidade de álcool ingerida até então tinha sido insuficiente para que a embriaguez de Brito chegasse ao ponto em que ele se considerava satisfeito. Brito tinha pego um cartão de Dema, com seu endereço e o número do telefone fixo e o do celular. Dema morava no centro da cidade, na Rua do Boticário. É uma viela imunda, cheia de nóias, próxima ao Largo do Paissandu.No cartão dizia que Dema tinha um grande catálogo de rock e música em geral e que gravava cds piratas com encartes fiéis aos originais. Saber que aquele sujeito era eunuco fazia com que Brito se sentisse na obrigaç&atil
Último capítulo