Mundo de ficçãoIniciar sessãoNa minha cerimônia de maioridade, aos dezoito anos, o velho Alfa me chamou e me pediu para escolher um dos seus dois filhos para ser meu parceiro. Quem eu escolhesse, no futuro herdaria a posição de Alfa. Sem hesitar, apontei para o filho mais velho, Carlos. No salão de festas, todos os lobos ficaram espantados com a minha escolha. Afinal, todos da alcateia Lua Prateada sabiam que eu, filha da família Abreu, há muito tempo era apaixonada por Caio, o filho mais novo do rei Alfa. Eu já havia me declarado para ele várias vezes nos bailes, cheguei a protegê-lo de uma adagada de prata por caçadores. Carlos era conhecido por ser o lobisomem mais cruel e sanguinário, alguém que todos evitavam a qualquer custo. O que ninguém sabia era que, numa outra realidade, eu havia me tornado companheira de Caio. E, no dia do nosso casamento, ele dormiu com a minha irmã às escondidas. A minha mãe ficou furiosa, e casou minha irmã à força com o lobo beta da alcateia vizinha, os Lobos Negros. A partir daquele momento, Caio passou a me odiar. Ele trouxe cem lobas de outras alcateias, elas eram belas e sensuais, todas com os mesmos olhos azuis da minha irmã. Quando soube que eu estava grávida, ele chegou ao cúmulo de deitar-se com todas elas na minha frente. Eu passava os dias, mergulhada em dor e humilhação. Quando finalmente entrei em trabalho de parto, ele me acorrentou no porão, proibindo qualquer pessoa de se aproximar. Meu filho morreu sufocado dentro do meu ventre, e eu morri tomada pelo ódio e arrependimento. Talvez a Deusa da Lua tenha sentido pena de mim, pois me deu mais uma chance. Eu voltei no tempo. E desta vez, vou deixá-lo viver o grande amor da vida dele. Mas, para minha surpresa, Caio quem passou a se arrepender.
Ler maisQuando a noite caiu, Carlos entrou no quarto. Eu estava encolhida na cama, observando-o fechar a porta com um movimento rápido.— O que você está fazendo aí, parado? — Eu disser, e bati ao lado da cama, com um tom lento e provocador. — Não vai ficar aí, vigiando a porta como um guarda, mesmo depois do casamento, não é?Ele não respondeu. Com passos largos, ele se aproximou, tirou o manto e revelou seus ombros fortes, marcados por cicatrizes e feridas antigas, testemunhos de anos de combate. Ele se inclinou, agarrou os meus ombros, me aprisionando entre o braço e a cama. Sua respiração carregava o cheiro forte de licor de pinho.— Quem foi que pediu para eu ir para a cama? — Ele disse.Eu olhei para a linha firme de seu maxilar, estiquei a mão para tocar sua orelha, que estava quente como fogo.— O que é isso? O príncipe Carlos está com medo? — Perguntei.Ele riu baixo, mordendo o canto dos meus lábios com um toque firme e dominador.— Eu sou seu, do que eu teria medo? — Ele puxou a fit
No dia do casamento, levantei-me antes do amanhecer para me preparar.Quando a cortina se abriu e a figura de Carlos apareceu, ele estava segurando um ramo de flores recém-colhidas na floresta de cedros, com as pétalas ainda cobertas do orvalho matinal.Ele se abaixou, me levantou em seus braços e caminhou rapidamente para fora da residência, em direção à estátua da Deusa da Lua. Eu olhei discretamente para o perfil dele. Ele era tão diferente de Caio. Caio era como um fogo selvagem e descontrolado, sempre carregando uma aura irreverente e rebelde. Por outro lado, Carlos tinha uma expressão fria e dura, com seu maxilar forte e seu nariz afiado, como se tivesse sido esculpido por um artista.Alguns diziam que ele era distante, incapaz de entender o que é amar alguém. Mas eu o vi lutar desesperadamente por mim, quando invadiu aquele porão. Agora, ao olhar para seus lábios franzidos, um calor tomou meu peito.Na outra realidade, ao caminhar em direção à estátua da Deusa da Lua atrás de Ca
Uma onda intensa de desgosto me invadiu. Recuei um passo, evitando a mão dele que me oferecia o anel.— Você não se enganou? Não é a minha irmã Lina quem você tanto deseja? — Perguntei.Ao perceber a minha recusa, Caio se levantou e estendeu a mão para me impedir, mas Lina agarrou o braço dele com força. — Eva, me escuta! — Ele, sem escolha, gritou. — Tudo isso não passa de um mal-entendido! Só existe você no meu coração. Ninguém jamais será mais importante para mim do que você.— Engraçado... não foi isso que você disse antes. — Soltei uma risada fria. — Você disse que, depois de casarmos, eu deveria me comportar, sem fazer perguntas desnecessárias e jamais me meter entre você e a Lina.— Aquilo foi um erro! Eu estava confuso. — Ele respondeu, com o rosto carregado de ansiedade, mas com uma falsa sinceridade. — Como eu poderia te tratar assim?Lina, ouvindo suas palavras, começou a chorar.— Caio, você disse que gostava mais de mim, que eu era mais dócil e compreensiva que a minha ir
As fofocas dentro da alcateia Lua Prateada se espalharam como fogo. Em poucos dias já estavam por todos os cantos.Alguns diziam que Caio, por minha causa, chegou a discutir com o Alfa no salão principal. Outros diziam que, desde do momento que escolhi Carlos, Caio passou os dias grudado na Lina.Todos esses rumores não me importavam em nada.Minha cerimônia de casamento com Carlos estava marcada para a próxima noite de lua cheia.Certa manhã, pouco antes da cerimônia, Carlos me encontrou no campo de treinamento. Ele estava encostado em sua longa espada cravada no chão. O orvalho da manhã umedecia as pontas do cabelo dele. Permaneceu em silêncio por muito tempo até falar com uma certa tensão na voz:— Andam dizendo por aí que eu sou violento, que minhas mãos já estão manchadas com o sangue de muita gente. — Ele ergueu os olhos para mim, com um olhar afiado como uma faca. — Você não tem medo?Minha mão, que segurava o arco e a flecha, parou por um instante. — Medo de quê? — Virei-me e





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