Renata
— Minha menina… venha aqui.
Minha espinha congelou.
Não foi apenas a voz.
Foi o jeito aquele tom cheio de carinho que eu não ouvia desde antes de tudo desmoronar.
Meu corpo reagiu antes da minha mente.
Quando me levantei, senti minhas pernas tremerem de leve, o vestido champagne acompanhando cada passo como se não fosse meu.
O pai do Ricardo seu Marcos sempre foi mais pai para mim do que o meu próprio.
E ver aquele homem ali, de braços abertos…
Doía.
Doía muito mais do que eu estava preparada para admitir.
Quando ele me puxou para o abraço, eu prendi a respiração.
O cheiro dele, o calor, a forma apertada como me segurou…
Tudo me jogou de volta para um passado que eu tinha enterrado à força.
— Me desculpe pelo filho idiota que eu tenho, ele disse alto, sem se importar com ninguém. Era para ser você ali no altar.
Meu coração bateu tão forte que chegou a doer.
Eu senti olhos em mim de todos os lados.
Senti o choque.
O julgamento.
A curiosidade cruel que sempre acompanha fofoca