Rafael
— Você vai comigo.
A voz do Antony ecoou pelo corredor do hospital, carregada de autoridade como sempre.
Eu estava terminando de preencher um prontuário quando ergui os olhos, desconfiado.
— Ir com você aonde, exatamente?
Antony cruzou os braços.
— No casamento dos nossos novos sócios. Os investidores daquele projeto enorme da maternidade. Gente importante, influente… dá para ignorar?
Eu respirei fundo, já sabendo que não tinha como escapar.
— Casamento, Antony… casamento é chato demais. Você sabe disso.
Ele riu.
— Chato ou não, vai ter que ir. Não vou aparecer sozinho lá, vão achar que eu vivo trancado no hospital.
Bateu no meu ombro como quem fecha um contrato.
— E outra: é sábado agora. Nada de desculpinhas.
Fechei os olhos por dois segundos, aceitando meu destino.
— Tá bom, tá bom. Eu vou. Mas só porque você é meu chefe e amigo.
— E porque eu sou convincente ele completou, satisfeito. Te pego às cinco e meia. Terno escuro. Sem reclamar.
Revirei os olhos, mas não respondi.
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