CAPÍTULO 138
Manuela Strondda
O dia amanheceu com aquela luz indecisa, nem quente nem fria, como se o mundo também estivesse cauteloso comigo.
Ouvi três batidas firmes na porta. Secas, e com autoridade.
— Avanti.
Papà entra no meu quarto como se ainda estivesse no escritório. Terno impecável, postura reta, olhar atento demais para alguém que veio “ver a filha”.
— Hoje é repouso, bambina. — anuncia, sem rodeios. — Nada de treino. Nada de tiros. Nada de inventar moda.
Abro a boca, pronta para argumentar, reclamar, fazer drama… mas paro no meio do caminho.
Repouso significa liberdade vigiada.
Liberdade significa oportunidade.
— Certo, papà. Você sempre tem razão. É o melhor papà de Roma. — respondo, dócil demais para ser verdade.
Ele estreita os olhos, desconfiado, mas se aproxima e beija minha testa com cuidado.
— Quero você bem. Ontem foi um susto desnecessário.
— Eu sei.
Aproveito o embalo.
— Vou dar uma voltinha pela cidade então. — digo casualmente. — Vo