Capítulo 172
Manuela Strondda
A gravata que ele havia amarrado no início estava bem frouxa já, de tanto forçar. Acho que percebeu porque me soltou.
Achei que, sem a gravata, eu finalmente respiraria melhor. Bom, pelo menos me senti mais segura com as mãos livres.
Meu erro foi achar que Hugo funcionava dentro de uma lógica previsível.
O tecido ainda estava frouxo nos meus pulsos quando senti o colchão afundar atrás de mim. Não precisei olhar. Reconheci o som. O movimento. A forma como ele ocupava o espaço sem pedir licença. Meu corpo percebeu antes da cabeça — sempre traidor.
O estalo seco do couro do cinto sendo puxado da cama fez meu estômago contrair. Quando arrancou com a calça vi que deixou ali, mas não imaginei que voltaria a usar.
Virei o rosto a tempo de ver o cinto passando pelos dedos dele, lento demais para ser casual. Hugo não falava. Não provocava. Era pior quando ele ficava assim — concentrado, silencioso, como se estivesse decidindo algo que já t