Capítulo 174
Manuela Strondda
Hugo voltou alguns minutos depois com a minha mala numa mão e o celular na outra, o semblante concentrado como se estivesse resolvendo meio mundo ao mesmo tempo. Colocou a mala sobre a poltrona e se afastou sem me encarar demais.
Abri o zíper e puxei uma roupa simples — vestido leve, confortável, algo que não pedisse esforço emocional. Enquanto eu me vestia, ele avisou, num tom quase casual:
— Já estão arrumando a mesa pra comer.
Ergui o olhar pelo espelho.
— Tão rápido? Estela já tinha tudo preparado?
— Não. — respondeu. — Mandei comprarem pronto. Você disse que estava com fome.
Assenti, surpresa comigo mesma por admitir internamente que gostei daquele cuidado silencioso. Pelo menos é atencioso.
— Vou ligar para o Don Anders do escritório. — ele continuou, já se afastando. — Me espere na mesa para jantar.
— Tá.
Não demorei. A fome era real, física, dessas que não dão margem para orgulho. Quando cheguei à mesa, o cheiro já dizia qu