Capítulo 175
Hugo Lindström
Raiva não era uma emoção rara para mim.
Era uma ferramenta.
Eu sabia usar. Sabia controlar. Sabia quando ativar e quando guardar.
Mas aquilo… aquilo não era só raiva.
Era incredulidade.
Ninguém. Absolutamente ninguém jamais tinha me rejeitado antes.
Não mulheres acostumadas ao poder.
Não mulheres que sabiam exatamente quem eu era.
Não mulheres que entendiam o que significava estar ao meu lado.
E, ainda assim, aquela italiana tinha dito não.
Não com jogo.
Não com provocação.
Não com medo.
Simplesmente não quis. Como é possível?
Eu fiquei parado por alguns segundos depois que Manuela voltou a correr, sentindo o sangue pulsar nas têmporas. Não era o sexo em si — embora o desejo ainda estivesse ali, incômodo, duro, insistente. Era o que aquilo significava.
Ela não precisava de mim.
Ela não se dobrava a mim.
Ela não reagia como todas as outras. E isso está me corroendo.
— Merda… — murmurei, passando a mão pelo rosto.