Khandra
Eu estava estranhando o cuidado excessivo, a forma como Pashir me observava. Havia algo diferente no olhar dele — respeito, atenção, presença. Fazia muito tempo que ninguém me olhava daquela maneira. Muito tempo mesmo.
A verdade era simples e incômoda: eu havia me esquecido de mim.
Entre trabalho, responsabilidades e meus filhos, deixei de lembrar que também era mulher.
Tomei café da manhã com calma, sem pressa, e depois segui para um banho demorado. Foi ali, no silêncio do banheiro, que meu segundo celular começou a tocar. Estranhei imediatamente. Quase ninguém tinha aquele número.
Quando olhei a tela, vi o nome de Layla.
Atendi na mesma hora. Se ela estava ligando àquela hora da manhã, algo havia acontecido.
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Ligação
Khandra:
— Aconteceu alguma coisa?
Layla:
— Eu não quero te deixar nervosa, minha filha… mas acordei agora e as crianças não estão em casa.
— Zayd também não. Ninguém avisou nada.
Meu coração acelerou.
Khandra:
— Como assim?
— Ele não está no condomínio? Não