Amir
Passei na casa de Bruna para buscá-la e levá-la para conhecer melhor o bairro onde agora morava. Caminhamos bastante, conversamos, observamos o movimento das ruas e as pessoas. Em determinado momento, paramos em uma pequena praça para tomar sorvete. Foi ali que ela começou a falar mais sobre a própria vida.
Ouvi em silêncio. Confesso que senti algo próximo da compaixão. A história dela tinha semelhanças dolorosas com a minha. O pai de Bruna também havia sido morto durante uma operação policial — um disparo direto na cabeça. Depois disso, ela ficou completamente sozinha no mundo, vulnerável, perdida… e acabou se envolvendo com aquele homem que destruiu a vida dela.
Eu, ao menos, tive Nayla.
Minha irmã podia ser rígida, exigente, às vezes dura demais comigo, mas sempre me protegeu da forma que conseguiu.
Bruna:
— Sua irmã parece ser uma mulher extraordinária, pelo que você descreve.
Amir:
— Nayla é a pessoa mais forte que eu conheço. Quando vieram nos avisar que nossos pais tinham