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Capítulo 7 – Desejo Contido e Um Pacto com Abby

Damon

Eu nunca fui um homem de noites mal dormidas por causa de mulher. Negócios, sim. Perdas, sim. Memórias antigas, também. Mas mulher? Nunca. Sempre que eu quis uma, tive. Quando não quis mais, acabou. Simples.

Até Angel.

Na primeira noite dela na minha mansão, eu a levei direto para o meu quarto. Para a minha cama. Não por gentileza. Eu queria deixar claro, desde o início, que ela fazia parte da minha vida agora. Do meu território. Do meu espaço.

Ela olhava para o quarto com o corpo rígido, os olhos vasculhando cada canto como se estivesse decorando possíveis rotas de fuga. Eu sabia que, na cabeça dela, tudo era sobre escapar. Na minha, tudo era sobre o quanto eu não ia permitir isso.

Quando deitei, não tirei a camisa nem fiz nenhum movimento brusco. Deitei no meu lado da cama, como sempre fiz. Ela ficou parada por alguns segundos, como se a simples ideia de deitar ali fosse uma tortura.

— Vai ficar em pé a noite toda? — perguntei, sem paciência.

Ela respirou fundo, apertou a mandíbula e, por fim, deitou. No extremo oposto do colchão.

Parecia que ela tinha medo que a espuma da cama a queimasse se chegasse perto de mim. Virou de costas, encolheu as pernas, abraçou o próprio corpo. A distância entre nós era grande o suficiente para caber um oceano. Ainda assim, eu sentia a presença dela.

Senti o corpo reagir quase de imediato. O desejo veio, claro. Ela era bonita, pequena, com um rosto que misturava força e inocência de um jeito que eu nunca tinha visto de perto. Qualquer homem normal se sentiria atraído.

Eu não era “normal”. Em mim, isso vinha junto com outra coisa, o impulso de puxá-la pela cintura, virar aquele corpo contra o meu, tomar o que, moralmente, já era meu por contrato de dívida e escolha do pai dela.

Mas eu não me movi.

Eu não sou um homem que age por impulso.

Eu quero outra coisa dela. Não quero um corpo apenas deitado na minha cama porque não tem para onde ir. Quero o olhar dela mudando quando me ver. Quero o corpo dela pedindo o meu toque. Quero o orgulho dela quebrando não por medo, mas porque ela deseja. E isso exige uma coisa que eu nunca gostei muito de praticar: paciência.

Fiquei deitado, de olhos abertos, ouvindo a respiração dela. Ela fingia dormir. Eu sabia. O ritmo era rápido demais, o peito subia e descia em intervalos curtos. A tensão nos ombros dela era visível mesmo sob o lençol. Ela parecia uma pedra colocada na cama, ou um animal em alerta, pronto pra correr ao menor sinal de perigo.

Fechei os olhos por alguns minutos, mas não consegui dormir de imediato. Em vez disso, a mente começou a trabalhar, como sempre faz.

Pensei no pai dela. No contrato. Na dívida. Na forma patética como ele empurrou a própria filha pra salvar a própria pele. Pensei na primeira vez que vi o rosto de Angel numa tela, e na sensação estranha de querer tê-la por perto antes mesmo de ouvi-la falar.

E pensei no futuro.

Não era uma aposta comum. Não era um jogo comum. Eu estava entrando em um tipo de guerra que não se vence com dinheiro, nem com ameaças. Se eu quisesse o coração dela, e eu queria, ia precisar de mais do que poder. Ia precisar de estratégia.

Em algum momento, a noite foi ficando mais densa. O mundo lá fora diminuiu. A respiração dela desacelerou, até se tornar um ritmo que denunciava sono, não fingimento. Eu relaxei também.

Senti o peso da noite, do dia inteiro, de todas as decisões recentes. E, pela primeira vez em muito tempo, não adormeci pensando em números ou inimigos. Adormeci consciente de uma coisa simples, eu não estava sozinho na cama.

Abby não estava em casa naquela noite. Ela tinha saído mais cedo, com aquele sorriso leve no rosto, dizendo que ia dormir na casa de uma amiga para comemorar um aniversário.

A mansão sem Abby tem outro som. Fica mais tensa, mais pesada. Ela é o ponto de luz nesse lugar. Quando tira a presença, o contraste aparece.

Naquela noite, porém, mesmo com a ausência dela, a casa não estava vazia. Angel ocupava espaço. Mesmo sem falar. Mesmo tentando se encolher. A presença dela mexia com a energia do lugar.

Na manhã seguinte, acordei antes do despertador.

Na sala de jantar, Abby já estava sentada à mesa.

Cabelo preso em um coque alto meio desarrumado, como se tivesse tido sono demais e paciência de menos para arrumar. Uma xícara de café entre as mãos, olhar concentrado no celular. Ela levantou os olhos quando me viu entrar.

E franziu a testa.

— Você está estranho. — disse, sem cerimônia, apoiando o cotovelo na mesa. — E não é “estranho empresa”. É outro tipo.

Me sentei na cadeira de sempre, peguei o café que já estava servido pra mim. Abby sempre percebe. Ela lê gente como quem lê livro.

— Bom dia pra você também. — retruquei, tomando um gole.

Ela estreitou os olhos, inclinando o rosto de lado.

— O que aconteceu? — insistiu. — E não vem dizer que “nada aconteceu” porque você está com cara de quem passou a noite pensando em alguma coisa.

Por um segundo, considerei mentir. Jogar a culpa em algum investimento, algum problema jurídico, qualquer coisa que a fizesse recuar. Mas eu precisava dela. Precisava da forma como ela enxerga o mundo, da leitura dela sobre pessoas.

Não daria pra esconder Angel de Abby por muito tempo, de qualquer jeito. Coloquei a xícara na mesa, olhei diretamente para ela.

— Em breve, eu vou me casar. — soltei.

Ela quase derrubou o café.

— O quê? — tossiu, levando a mão à boca. — Como assim “casar”? Desde quando você acredita em casamento, Damon?

Deixei que a reação dela passasse, sem pressa.

— Não é um casamento tradicional. — expliquei. — É um casamento por contrato.

Ela me encarou como se eu tivesse acabado de dizer que ia comprar um planeta.

— Isso não me deixa menos preocupada. — resmungou. — Que tipo de contrato?

Segurei a xícara com calma, girando o líquido escuro dentro.

— O nome dela é Angel. — respondi. — E, pelo contrato que vou redigir, ela tem três anos para se apaixonar por mim.

Abby me encarou sem piscar, como se estivesse tentando entender se aquilo era parte de alguma piada macabra.

— Você enlouqueceu. — concluiu, por fim. — Três anos… pra se apaixonar por você? Isso é… errado, Damon. Parece… sei lá… prisão disfarçada de romance.

Ela tinha razão. Em muitos níveis, era exatamente isso. Mas eu não recuei.

— É o que é. — falei, dando de ombros. — Não vou fingir que é justo. Mas é o acordo. Ela vem pra minha vida, fica ao meu lado, por três anos. Em troca… eu dou a ela coisas que o pai não daria nem se tivesse escolha. Estabilidade, proteção, mais do que ela jamais teria com ele.

Abby apertou os lábios.

— E você? O que você ganha? — provocou. — Além de uma esposa que entrou nisso obrigada?

Eu a olhei, sério.

— Eu vou fazer o que for preciso para ela se apaixonar por mim. — respondi. — Não quero só presença. Quero sentimento. Não quero que ela apenas aceite. Quero que ela sinta.

Abby ficou alguns segundos calada, apenas olhando, me analisando como se fosse a primeira vez que me via daquele jeito.

— Você ouve a si mesmo, às vezes? — perguntou. — Isso continua errado, Damon. Mesmo com todas as suas justificativas de Ceo frio e calculista.

Eu não discordei. Mas também não voltei atrás.

— Talvez. — admiti. — Mas já está feito.

Ela passou a mão no rosto, cansada, como se precisasse organizar a própria consciência antes de falar de novo.

— Isso continua errado. — repetiu. — Mas… — respirou fundo — você é meu irmão. Eu sei que, quando coloca uma coisa na cabeça, não volta atrás. Então, se você vai fazer isso, pelo menos… — estendeu a mão sobre a mesa, na minha direção — pelo menos deixa eu tentar garantir que você não faça tudo do jeito mais frio possível.

Olhei para a mão dela. A mão da única pessoa que ainda consegue me lembrar um pouco de quem eu fui um dia, antes de tudo. Antes de sangue, antes de perda, antes de vingança.

Segurei.

O aperto dela foi firme. O meu também.

— Você vai me ajudar. — afirmei, sem deixar margem pra dúvida.

— Vou. — confirmou. — Não porque eu concorde com esse contrato idiota. Mas porque, se ela tiver que ficar presa nisso, quero que tenha alguma chance real de escolher amar você… e não só ser empurrada pra isso.

Eu assenti.

Abby respirou fundo e, por um instante, um sorriso pequeno apareceu no rosto dela.

— Você sabe, né? — acrescentou. — Fazer alguém se apaixonar por você não é a mesma coisa que fechar um negócio. Não dá pra assinar um sentimento.

Uma parte de mim sabia disso. Outra parte achava que, com tempo suficiente, eu podia convencer qualquer um de qualquer coisa.

— Eu vou descobrir. — respondi.

E ficamos um tempo assim, com nossas mãos ainda apertadas sobre a mesa do café… ela, tentando humanizar o inferno. Eu, decidido a transformar um contrato frio em algo que, de algum jeito torto, se pareça com amor.

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