Valentina
Acordei como quem volta de uma maré longa: os sentidos vinham em ondas pequenas, primeiro o cheiro do limão da casa, depois o toque morno de uma mão conhecida, por fim a respiração de alguém que eu reconheceria até no escuro do mundo.
- Bom dia, amore... - a voz dele veio baixa, quase um toque - eu tô aqui.
Pisquei, devagar, para acostumar os olhos ao quarto à meia-luz. O primeiro rosto que encontrei foi o dele, e só isso ajeitou as coisas por dentro como quem endireita uma moldura to