Dante
No quarto, a claridade é a certa: a tarde já vestiu sombras longas, as cortinas seguram o mundo do lado de fora. Fechei a porta. Encostei as costas. Respirei. Ela ainda me abraçava com a pressa boa de quem decidiu o final do dia.
- Coloca os pés no chão - pedi, baixinho.
- E se eu não quiser? - ela provocou, rindo.
- Eu te dou motivo para querer. - respondi, e a coloquei no chão.
Valentina ficou diante de mim com um brilho nos olhos, o mesmo brilho de quem já atravessou o deserto e enco