Dante
O tempo ali dentro virou outra coisa. Eu falava pouco, ela falava menos. O chuveiro trabalhava por nós. Quando o rubor agressivo da febre cedeu um tom, fechei a água devagar, como quem termina um concerto sem que ninguém aplauda.
Enrolei-a numa toalha grande e seca. A pele dela cheirava a água e a ela mesma. A febre ainda estava ali, mas menos agressiva. Peguei outro pano, passei no rosto, no pescoço. Ela me olhava em silêncio, os cílios grudados, os olhos mais vivos.
- Melhor? - pergu