Mundo de ficçãoIniciar sessãoVicenzo Vizzine
Ele não falou nada o caminho inteiro, e quando chegamos a mansão, ele estacionou e ficou longe. Como se estivesse respeitando o mix de sentimentos que me invadiriam. Eles não vieram para brincar. Meus homens estavam mortos, por todos os cantos. As paredes tinham perfurações, marcas de bala e tudo, absolutamente tudo, demonstrava que a guerra aconteceu aqui. Enquanto me levavam para uma emboscada. Mas por quê? O que queriam na minha casa, se sabiam que eu não estava aqui? Vi o chefe de segurança se mexer. Ele piscou algumas vezes. — Bunker. Foi tudo o que ele disse, e eu corri. Minhas pernas não estavam me obedecendo mais. Passava por corpos estirados no chão, eu sabia que se Javier havia me mandado ir para o bunker nosso plano de contenção havia dado certo. Era o que eu esperava, do fundo do meu coração. Todo meu império não se comparava ao amor que sinto pela minha garotinha. A minha princesa era a razão de tudo. Minha relação com Amanda nunca foi ruim, mas não era como se houvesse amor envolvido. Cumpriamos o papel que precisamos exercer e todos acreditavam. Era isso que importava. Mas eu não queria vê-la morta. Meu coração se comprimiu ainda mais. Bella precisava estar salva. Não parei para velar Amanda. Não sentia nada afinal. Corri para o labirinto. O rádio comunicador do soldado que me resgatou ainda estava comigo, então eu ouvi meu braço direito mandando limparem tudo, e chamarem um médico. Nem assim meu corpo relaxou. Quando entrei, percebi que o cenário ali era menos devastador, e isso me fez ter um pingo de esperança, se é que eu podia acreditar nisso. Sentia o suor escorrendo pela minha testa. Meu corpo doía, sentia meus músculos tensionar e ao mesmo tempo parecia que alguém estava cravando uma faca em mim e me rasgando por completo. Mas eu não parei. Não poderia. Não demorou muito para chegar no local correto, me joguei no chão, o impacto fez meu corpo doer ainda mais, tateei até achar a argola, quando finalmente a puxei, digitei a senha, e a porta se abriu. Nesse momento, não me importei em fechar, o caos aparentemente havia cessado. Desci as escadas, e encontrei Damon, a postos, com uma pistola engatilhada, e minha princesinha dormia em um colchonete. — O senhor tá vivo! — ele disse baixando a arma, e suspirando. Seu olhar estava pesado, demonstrando cansaço. — Ela demorou para dormir, chorou bastante e está com muito medo. Fico feliz que o senhor esteja vivo. — engoli seco. Mas ainda não me aproximei dela. Abracei Damon. Ele havia cumprido a sua promessa. Ele tinha cuidado do meu bem mais precioso. — Obrigado por cuidar dela, garoto. Você vai ser o rei um dia. O sorriso de lado dele não atingiu seus olhos. Ele sabia que eu o tinha como se fosse meu filho, eu confiava plenamente no pai dele, e sabia que ele tinha o melhor treinamento. Então eu cai de joelhos ao seu lado, e Bella acordou em um pulo. Esfregou os olhos e chorou ao me ver. — Papai! — se jogou nos meus braços e eu senti minha respiração falhar. Ela era o meu coração fora do peito, se algo tivesse acontecido a minha garotinha eu iria até o inferno acabar com o filho da puta. — Oi meu amor, agora está tudo bem! — ela soluçou alto, confirmando com a cabeça. — Cadê a mamãe? Ela estava comigo no jardim, mas… — Não se preocupe, está tudo bem agora. — acariciei seus cabelos e vi Damon baixando a cabeça, e disfarçando bem. Ele sabia. Sabia que Amanda estava morta. E ainda assim não contou nada para Bella. — Eu fiquei com tanto medo, papai! Mas, o Damon me protegeu. Ele segurou minha mão e me acalmou. Eu achei que iria infartar ali mesmo. O olhar do garoto quase saiu de órbita, e ele voltou a fingir que estava vigiando a entrada. “Ele segurou minha mão”. As palavras da minha garotinha faziam eco dentro da minha cabeça, mas, agora não era o momento para isso. — Eu… vou verificar, se é possível sair daqui. — Claro que é! O papai veio nos salvar, deve estar tudo bem já. — Querida… é… o papai falhou em proteger você. Nossa casa foi invadida, e muitas pessoas se machucaram. — Chama o dr. Caspien, papai! Ele cuida muito bem das pessoas. — Que tal você mostrar a nova dança para o senhor Vizzine, Bella? — Damon sorriu para a minha garotinha, que simplesmente pulou na sua direção o abraçando. — Que ótima ideia! — ela me empurrou até uma cadeira, e merda, meu corpo ainda estava doendo. Mas a forma como esses dois olhavam um para o outro… sacudi a cabeça, são apenas crianças, ele sabe qual é a sua missão. O acidente e o ataque estavam me deixando maluco. Damon me encarou uma última vez, seu olhar carrega muitas palavras não ditas e então ele subiu as escadas, saindo do bunker, e Bella começou a contar os passos de dança e a me mostrar como seria a sua nova apresentação de ballet. Seus olhos brilhantes, sua felicidade genuína enquanto rodopiava e seu jeitinho de criança que não se preocupa com o que há lá fora. O mundo pareceu parar ali. Não sei dizer quanto tempo ficamos ali, existindo em um mundo que existe apenas na cabeça de Bella, um lugar onde não há perigos, onde o papai resolve tudo. O ataque na mansão me fez perceber que eu falhei. E isso era inadmissível. Fomos arrancados daquela realidade quando Damon voltou, acompanhado de Elliot, meu braço direito. O garoto estava diferente. Seu olhar frio, sua postura impecável. — Onde você estava, porra? Que merda aconteceu? — Aqui não. — disse olhando de soslaio para a minha pequena, que estava pegando um pacote de biscoitos. — Como está a situação? — Precisamos evacuar. — Bella, vá lá com o Damon buscar alguns brinquedos, e suas coisas. Vamos passar um tempo na casa de praia. — disse sério, observando minha garotinha concordar e se afastar. Saí do bunker junto com Elliot, que estava deixando transparecer o desespero. — Eu não sei o que aconteceu. Em um segundo meu carro capotou na pista, e eu fui parar no meio da floresta, e então eu ouvi a explosão. Uma mulher me salvou. — Uma mulher? — ele olhou para mim, de cima para baixo. — Exatamente. Sei lá, bruxa, maluca, que mora no meio da floresta?! Não sei. — afastei as lembranças dela. — Quem nos atacou? — Ainda não temos uma confirmação. — Foi uma emboscada. Das grandes. O que queriam na minha casa, se sabiam que eu não estava aqui? — Esse é o problema, Vicenzo. Nossa equipe está trabalhando nisso, mas as pistas iniciais revelam que os ataques foram feitos por dois grupos diferentes. Não há ligação entre eles. — Porra! Quem quer nossa cabeça, além daqueles idiotas que vendem meia dúzia de drogas e acham que são uma gangue? — É isso que iremos descobrir. Eu ia continuar falando quando um carro parou na entrada, e gritos foram ouvidos. — Me solta, seu infeliz! Você não sabe com quem tá mexendo. — a mulher gritava, se debatia e se seu olhar fosse mortal, todos nós teríamos morrido. Era ela. A mulher da floresta. — O que você quer? Eu deixei você viver! — ela cuspiu as palavras assim que seu olhar me encontrou. — O que está acontecendo aqui? — Elliot perguntou primeiro. — Quem é essa? — Estávamos fazendo ronda na localidade que o senhor Vicenzo foi encontrado, e achamos ela vagando por lá. Não se enganem pela carinha bonita, ela matou cinco dos nossos homens. — E teria matado mais se vocês não fossem uns covardes! — Soltem ela! — minha voz saiu mais alto e mais grave do que eu gostaria e todos se voltaram para mim com cara de choque e espanto.






