Mundo de ficçãoIniciar sessãoDamon - o filho do chefe de segurança dos Vizzine
“Vigie-a sempre que puder”. Essa foi a regra que Vicenzo Vizzine me deu, a primeira ordem do chefe, e a única que eu estava disposto a cumprir até o fim dos meus dias. Havia algo mágico em observar ela. Isabella Vizzine. A dona do império. A filha do dono do caos. A lua estava iluminando o céu, e eu… bem, eu estava cumprindo meu papel. Estava parado, de braços cruzados, no limite da propriedade onde começava a floresta. Ela estava brincando no jardim, com seu vestido azul, correndo, como se a vida fosse… boa. Era como se Isabella Vizzine fosse uma princesa, e eu sou o guardião do seu castelo. Ela me viu, ela sempre me via. Seu sorriso se alargou, ela colocou uma mecha dos cabelos dourados atrás da orelha, e por um segundo eu achei que ela viria até mim. Meu pai é o chefe da segurança do senhor Vicenzo, e me treinou desde que eu tinha três anos de idade. A primeira vez que eu mandei um soldado para o inferno ainda estava cravada na minha memória, e eu sabia que essa parte era o meu inferno particular, mas ela… ela parecia não se importar com isso. A princesinha de oito anos não ligava que eu tivesse apenas onze e que já tinha ceifado mais vidas que eu poderia lembrar, afinal, esse era o nosso mundo. E eu sei que ela não percebeu, mas eu senti no ar que alguma coisa estava errada. Meu pai me interceptou no rádio, um comunicador apenas nosso. — Qual é a senha? — ele perguntou sério demais para um treinamento. Eu já sabia identificar quando tudo acontecia, sabia sentir a tensão no ar e sabia muito bem o tom de voz do meu pai. — Condor. — Prossiga. — A princesa está no jardim. — Você sabe o que precisa fazer. E terá que ser feito em breve. — Onde o senhor está? — Não se preocupe, eu ficarei bem. O código c começa agora. — Positivo senhor. — Damon, eu amo você. Faça o que precisa ser feito, e não tente salvar o mundo. Só veja a luz do dia novamente quando for seguro. Confie no seu instinto, ele é seu melhor aliado. Eu tenho orgulho do homem que você está se formando. Jogue o comunicador para as raposas e aja. Agora. Comunicação perdida. Merda! Eu também amo você pai. Corri até Isabella, que deu um pulinho ao perceber, mas eu sabia muito bem o que o código C significava. Não ser visto, não ser seguido, não ser encontrado. Não importava o que estivesse acontecendo, a minha missão era protegê-la, e eu era o melhor para isso. — Quero te mostrar um lugar. — falei, para que apenas ela ouvisse, e joguei meu comunicador na fonte que ficava bem no centro do jardim. Ela concordou e deu um passo na minha direção, puxando minha proteção para baixo, deixando meu rosto visível. — Você é bonito demais para ficar escondido. — sua voz doce me atingiu,e sua mão segurou a minha. Ah, minha doce Bella. O primeiro disparo ecoou e ela gritou. —Shii, vem comigo. E então a gente correu. Era necessário. — Não olha para trás, e corre o mais rápido possível, Bella. Você precisa confiar em mim! Ela confiava. Eu sabia que sim, ninguém precisava me falar sobre isso. Ela jogou os sapatos longe, e continuou correndo, mas eu os peguei. “Não deixar rastro”. Não deixariamos. Corremos em direção a floresta. Ela sabia guardar segredos e eu já havia treinado essa fuga inúmeras vezes com ela. Olhei para trás uma última vez, antes de deixar tudo para trás, e vi quando o tiro ultrapassou a senhora Vizzine, e ela caiu como uma pluma no chão. Temos problemas enormes por aqui. O barulho dos tiros estavam ecoando pela floresta, em um contraste com o barulho dos nossos passos no chão, quebrando galhos, afundando na terra. Peguei a minha pistola, e tentava analisar se não estávamos sendo seguidos. Nem por pessoas, nem por animais. Chegamos ao início do labirinto e, ela se encostou no arbusto, colocando as mãos no joelho puxando o ar. — Vamos, falta pouco. — puxei sua mão e continuei correndo. Nosso código era o de sempre, esquerda, esquerda, direita, esquerda, reto. Entra no meio do arbusto, procura a argola de ferro no chão, digitar a senha e entra no bunker. — Você entra primeiro. — Eu disse e ela se jogou no chão, procurando a argola, abrindo e entrando, desceu as escadas devagar, enquanto eu nos trancava ali. Havíamos conseguido, mas eu sabia que talvez fossemos os únicos a sobreviver. Escutei os tiros, e olhei para o céu uma última vez, pedindo para que Deus tivesse compaixão de nós, do meu pai. Quando nos tranquei, e finalmente desci as escadas, Bella me encarava com os olhos arregalados. Me senti exposto, e quando eles marejaram e as lágrimas cairam, me senti fraco. — Isso não é um treinamento. — ela disse, segurando a barra do vestido, e então correu para mim, me abraçando, e chorando sem parar. — Você precisa confiar, seu pai é o melhor, e em breve virá te tirar daqui. — Você me salvou, não é Damon? — ela saiu do meu abraço, e olhou diretamente nos meus olhos, sua mão, tão pequena e delicada pousou no meu rosto em uma carícia quase imperceptível. — Você me salvou como eu sempre soube que faria. Como o papai sempre disse que aconteceria, mas… eu não acreditava que um dia iriam realmente invadirem nossa casa. A puxei novamente para um abraço, e acariciei seus cabelos. — Não pensa nisso agora, vamos fazer alguma coisa que você gosta. — Se tinha algo que Vicenzo se preocupava era com a filha, o bunker era enorme, um cofre de metal enterrado no meio da floresta, mas tinha absolutamente de tudo para entreter a sua garotinha, de brinquedos à instrumentos musicais e uma acustica de qualidade que não me deixava saber o que estava acontecendo lá fora. — Damon, você só poderia mesmo ser um anjo caído, não há ninguém melhor para cuidar de mim do que você. Eu faria de tudo para protegê-la. Custe o que custasse. E a partir do momento que alguém fez minha garota chorar, essa guerra se tornava minha. Eu me vingaria de quem quer que fosse que tivesse invadido a casa da famiglia.






