GISELE NARRANDO:
Já faz dois meses que minha rotina se transformou em um turbilhão. Trabalho intenso, folga apenas às segundas, e aquela sensação constante de que o tempo nunca foi suficiente.
Rodriguinho, meu pequeno, já se habituou ao horário maluco da mãe. Toda noite, enquanto eu estava no "Bar do Urso", dona Sueli cuidava dele como se fosse dela. Eu sabia que estava em boas mãos, mas isso não aliviava a saudade e a culpa de estar longe dele.
Eu sempre chegava em casa por volta das quatro e meia da manhã, ou às vezes um pouco mais tarde, quando precisavam de mim para fechar o bar.
Passava na casa de dona Sueli, que me esperava com Rodriguinho enrolado em sua coberta e sua pequena bolsa a tiracolo. Ela sempre me entregava aquele olhar compreensivo e um sorriso tranquilo.
— Tá com tudo aqui, Gisele. Ele ficou bonzinho, cochilou a maior parte da noite, mas acordou esperando você — ela me disse, me passando meu pequeno embrulhado.
— Obrigada, dona Sueli — eu sorria, agradecida,