O vento frio daquele lago ainda parecia preso na minha pele quando voltamos para casa, mas, dessa vez, não era o frio que me incomodava, era a sensação de que tudo estava prestes a mudar de novo, como se eu estivesse sempre a dois passos de um chão que nunca era firme.
Nos dias seguintes, Ivan mergulhou em algo que eu já tinha aprendido a reconhecer: silêncio estratégico. Ele falava pouco, mas se movimentava muito. Ligações em russo, conversas baixas, portas fechadas. Eu não precisava enten