Alguns dias se passaram desde o julgamento, mas meu corpo ainda reage como se eu estivesse sentado naquela sala fria, esperando alguém decidir o destino da mulher que eu amo. É estranho como o tempo anda para frente enquanto a mente insiste em ficar presa no impacto. Cada passo até o hospital parece carregar o peso de tudo o que não foi dito, de tudo o que quase perdemos.
Seguro a mão de Stella no estacionamento. Ela está quieta demais. Não é o silêncio confortável que compartilhamos às vezes, aquele que diz “estou em casa”. É um silêncio pesado, cheio de pensamentos que não pedem permissão antes de machucar.
— Está tudo bem? — pergunto, mesmo sabendo que essa pergunta raramente tem uma resposta simples.
Ela sorri de canto, um sorriso treinado, desses que ela aprendeu a usar para sobreviver.
— Só cansada.
Mentira. Ou meia verdade, que é pior.
Entramos no consultório e o cheiro de álcool e limpeza me dá um nó no estômago. Hospitais sempre me lembram de perdas, de momentos em que eu não