O tribunal de Florença surge diante de nós como uma fortaleza antiga, austera, de pedra clara e janelas altas, exatamente como tudo que representa justiça na Itália: solene, pesado, impossível de ignorar. O carro desacelera antes mesmo de parar, não por cautela do motorista, mas porque a multidão impede qualquer movimento brusco. A imprensa está em peso. Câmeras, flashes, microfones erguidos como armas. Gritos atravessam o ar.
O nome de Stella.
O meu.
Perguntas que não querem respostas — querem sangue.
— Respira — digo, apertando a mão dela dentro da minha.
Stella está pálida. Os dedos frios. A outra mão repousa instintivamente sobre a barriga, num gesto de proteção que me atravessa como uma lâmina. O bebê se mexe, ou talvez seja só o nervosismo dela. Talvez os dois.
— Eu estou aqui — continuo, baixo, firme. — Você não vai atravessar isso sozinha.
O carro para. Antes que qualquer porta se abra, Lorenzo já está em movimento. Meu pai sai primeiro, imponente no terno escuro perfeitamente