Eu não dormi.
A verdade é que nem tentei. Passei a madrugada inteira andando pela casa como um fantasma, cada passo ecoando na madeira polida enquanto minha cabeça martelava a mesma pergunta, repetida até ficar insuportável:
Por que ela não me contou?
Amanheceu e eu estava sentado no sofá da sala, o violão apoiado ao lado, a camisa amarrotada, a barba por fazer e os olhos ardendo. Alice dormia no quarto, exausta depois de um dia longo. Eu devia estar lá, descansando para brincar com ela mais tarde, para prepará-la para o almoço com os avós. Eu devia ser um pai melhor do que o desastre que fui hoje.
Mas Stella…
A imagem dela no elevador, as lágrimas nos olhos, o corpo tremendo…
Estava presa dentro de mim como um espinho enfiado na carne.
E eu não conseguia entender nada.
O sol já começava a invadir a sala quando a campainha tocou. Eu me levantei devagar, sem vontade de lidar com ninguém, mas não tive escolha. Abri a porta e encontrei Paolo com a cara fechada, Marco segurando uma sacola