Eu não lembrava exatamente como consegui chegar até o prédio da Pietra. As ruas pareciam todas iguais, o ar estava pesado dentro do táxi, e o choro que eu segurava na garganta fazia tudo embaçar. Só percebi que havia parado quando o motorista tocou de leve no banco, chamando minha atenção. Paguei quase no automático, sem olhar o valor, e subi as escadas como alguém fugindo de si mesma.
Cada degrau parecia denunciar a vergonha que eu carregava nos ombros e, ao mesmo tempo, a vontade urgente de ser acolhida por alguém que não fosse cruel comigo.
Pietra abriu a porta antes mesmo que eu levantasse a mão para bater. Era como se ela tivesse sentido. Ou me ouvido soluçar no corredor.
— Stella? — A voz dela era um abraço. — O que aconteceu?
Eu tentei responder. Mas quando ela me puxou para dentro, o perfume conhecido, a luz quente da sala e o silêncio da casa que normalmente me confortava tudo isso bateu tão forte que meu corpo cedeu. O choro finalmente rompeu as barreiras que eu estava mante