Clarice
Eu sempre achei que amor fosse sentimento. Algo que chega forte, ocupa espaço, promete permanência. Algo que se sente no peito e, por isso mesmo, pode ir embora quando o peito cansa. Demorei para entender que amor não é o que se sente. É o que se escolhe.
Aurora estava sentada no chão do quarto, cercada por roupas dobradas. A mochila aberta, esperando o dia seguinte. Ela separava tudo com cuidado exagerado, como se a organização fosse uma forma de garantir que nada sairia do lugar.
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