Clarice
John e eu dormimos sob o mesmo teto. Em quartos separados. Mas com as portas entreabertas. E aquele detalhe simples carregava um peso quase sagrado. Não havia pressa. Não havia invasão. Havia escolha.
Deitada na cama, eu escutava os sons da casa — o estalo distante da madeira, o vento roçando as janelas, o relógio marcando o tempo com paciência. Cada ruído, antes gatilho, agora era apenas vida acontecendo. E, entre um som e outro, eu sabia: se o medo voltasse, não estaria sozinha para