Clarice
A casa acordou diferente. Não em alerta máximo, não tensa como nos dias em que cada ruído parecia um aviso. Era uma vigília calma, quase serena — o tipo de estado em que o corpo ainda sabe que o perigo existe, mas já não permite que ele dite a respiração, o passo, o pensamento. Era como se a casa tivesse aprendido, junto comigo, a ficar de pé sem se encolher.
John estava na cozinha quando entrei. Camisa clara, mangas dobradas até os antebraços, o café esquecido esfriando na xícara. O