Clarice
Passei a manhã inteira tentando convencer meu corpo de que estava segura. A ameaça já tinha ido embora, mas o perigo não entende de lógica — ele fica. Se esconde na tensão dos ombros, no maxilar travado, na respiração curta que esquece como é encher os pulmões por completo. Meu corpo ainda esperava o impacto que não vinha.
Era estranho perceber isso: mesmo quando o medo sai pela porteira, ele deixa marcas. Como um eco que insiste em reverberar. Ainda assim, algo em mim começava a se f