Clarice
Os dias seguintes se acomodaram num ritmo estranho — não exatamente tranquilo, mas possível. Como se a vida estivesse testando até onde eu conseguiria ficar sem fugir. A Fazenda Butterfly não apagava o que eu havia vivido, mas me dava algo que eu não sentia há anos: chão.
Acordar ali ainda era esquisito. Às vezes, por breves segundos, eu esquecia onde estava e o pânico vinha automático, agarrando meu peito. Então eu ouvia o som distante dos cavalos, o ranger da madeira antiga da casa,