Clarice
A sensação de vigilância não me deixou ao acordar. Ela apenas mudara de forma. Já não era um medo agudo, que paralisa; era um zumbido constante, instalado sob a pele, como um alerta que se recusa a desligar mesmo quando tudo parece quieto demais. Meu corpo acordara antes de mim, atento, preparado, lembrando de coisas que eu preferia esquecer. Ainda assim, havia café quente sobre a mesa. O cheiro de pão assando preenchia a cozinha com uma promessa de normalidade quase dolorosa. Aurora c