Clarice
O dia seguinte amanheceu limpo, claro demais, como se a tempestade da noite anterior tivesse lavado não apenas a terra, mas também algo dentro de mim. A luz da manhã entrava suave pelas frestas da janela, e o cheiro forte de barro molhado invadia a casa, carregando uma sensação de recomeço que eu ainda não sabia se merecia. Permaneci deitada por alguns segundos, encarando o teto, respirando fundo, tentando convencer meu corpo — ainda desconfiado — de que não havia perigo iminente. De q