Lorenzo narrando
O elevador subiu sem pressa, como se zombasse da tensão que me percorria de cima a baixo. Eu podia ouvir o som dos cabos, o motor trabalhando, o silêncio preenchido apenas pela respiração dela — rápida, nervosa, quase tão perceptível quanto a batida insistente do meu próprio coração. E eu odiava perceber isso.
Quando aquele tranco veio, por um instante quase insignificante, ela despencou contra mim. Reflexo. Instinto. Minhas mãos a seguraram pela cintura. Não houve cálculo,