Lorenzo Narrando...
Percebi a Califórnia antes mesmo de o jatinho tocar o solo. Existe algo quase primitivo nessa sensação, como se o corpo reconhecesse o território antes da mente. Viajo o mundo inteiro, durmo em fusos horários diferentes como quem troca de roupa, mas voltar para cá sempre provoca algo que não sei explicar sem parecer fraco. É lar. Não pela paisagem, não pelo status, não pelas memórias corporativas — é lar porque foi aqui que me tornei quem sou… e, ironicamente, onde mais me perdi de mim mesmo.
A viagem foi tranquila. Silenciosa, eficiente, luxuosa como tudo que envolve dinheiro suficiente para comprar conforto absoluto. Tony se comportou como um verdadeiro Vasconcellos, ainda que não tenha a menor ideia do peso que carrega no sobrenome. Observava tudo com aqueles olhos atentos demais para alguém tão pequeno, como se estivesse registrando o mundo para cobrar explicações mais tarde.
— Papá… — ele murmurou, apontando para a janela.
Inclinei o corpo na direção dele, aco