Helena Narrando...
Trinta dias. É estranho como o tempo passa rápido no calendário e lento dentro da gente. Trinta dias desde que saímos daquele hospital, desde que Antony recebeu alta e minha vida, que já era um emaranhado de decisões erradas, passou a ser um campo minado emocional.
Lorenzo acompanhou a gente até em casa naquele dia. Lembro perfeitamente do silêncio dentro do carro, pesado, denso, como se cada respiração fosse calculada. Quando entramos no meu apartamento, eu vi o olhar dele percorrer cada detalhe. Não foi um olhar de desprezo, mas também não foi de conforto. Ele achou aconchegante, disse isso em voz alta, e eu acreditei — em partes. Mas vi no jeito como ele ficou parado por alguns segundos, como se estivesse medindo o espaço, que para ele tudo parecia pequeno demais. Pequeno demais para a vida que ele leva, pequeno demais para o homem que ele é, pequeno demais, talvez, para o Antony.
E, pela primeira vez, isso não me atingiu como antes. Não me senti diminuída. Não