Helena Narrando...
Quando Lorenzo saiu do quarto, não foi apenas a porta que se fechou.
Foi como se algo dentro de mim tivesse sido arrancado à força, deixando um espaço oco, frio, difícil de suportar. Permaneci imóvel por alguns segundos — ou minutos, não saberia dizer — encarando o ponto exato onde ele estava antes de desaparecer pelo corredor. O ar parecia rarefeito, pesado demais para entrar nos meus pulmões sem esforço. Respirei fundo, mas o peso não cedeu.
Havia coisas que não se desfazem com a simples ausência. Lorenzo era uma delas.
Antony dormia. Dormia com a serenidade que só quem ainda não conhece o mundo é capaz de carregar. O rosto relaxado, os cílios projetando sombras suaves sobre a pele clara, o peito subindo e descendo em um ritmo tão tranquilo que chegava a doer observá-lo. Ele não fazia ideia do que havia acabado de acontecer ali. Não sabia que sua existência tinha acabado de virar a vida de alguém do avesso.
Talvez a minha também.
Diana aproximou-se em silêncio, co