Lorenzo Narrando....
Percebi que o hospital tinha um cheiro diferente quando atravessei aquelas portas automáticas. Não era mais o cheiro clínico, asséptico, impessoal. Tinha algo impregnado em mim, como se o lugar tivesse se infiltrado na minha pele. Talvez fosse o peso do que eu acabei de descobrir. Talvez fosse a sensação absurda de sair dali diferente de quando entrei — não fisicamente, mas estruturalmente. Como se algo dentro de mim tivesse sido deslocado do eixo e jamais voltaria ao lugar original.
Eu tinha um filho. A palavra ainda ecoava na minha cabeça, estranha. Filho. Meu Antony.
O nome vinha junto com a imagem que eu mal tive tempo de absorver direito. Um bebê pequeno, frágil, completamente alheio ao terremoto que a existência dele tinha causado em mim. Eu, Lorenzo Vasconcellos, acostumado a controlar cenários, mercados, pessoas… derrotado por algo tão simples e tão imenso quanto um par de olhos que ainda nem sabiam me reconhecer.
Helena. O nome dela vinha logo depois, ca