Lorenzo Narrando…
Por alguns segundos, permaneci imóvel à soleira do quarto, como se o simples ato de atravessar aquela porta exigisse uma autorização que o corpo ainda não tinha concedido à mente. O ar parecia mais denso ali dentro. O bip constante dos monitores era um lembrete de que aquilo não era um delírio, não era uma construção da minha exaustão. Era real. Demasiadamente real.
Helena me encarava como se tivesse sido flagrada no centro de um terremoto silencioso. Os olhos azuis, antes firmes, estavam dilatados, assustados, presos em mim. Havia pânico ali. Não o medo difuso de minutos atrás, mas um medo direcionado, específico — eu.
Ela demorou alguns segundos para reagir. Foram segundos longos, elásticos, em que o bebê se mexeu levemente em seus braços. Aquilo me atingiu com uma força que não soube administrar. Não era apenas semelhança física. Era reconhecimento instintivo, um chamado primitivo que não precisava de lógica.
Helena pigarreou, a voz saindo num fio.
— Diana… — cham