Capítulo 152 — Eu não o escondi por maldade. Nunca foi isso.
Helena Narrando…
A porta se fechou atrás dele com um som seco, definitivo. O eco ainda vibrava no ar quando minhas pernas finalmente cederam. Não cheguei a cair — apenas recuei alguns passos até minhas costas encontrarem a parede fria da sala da pediatra. Apoiei a cabeça ali, sentindo o contato gelado atravessar a pele como se fosse uma punição merecida.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Minhas mãos tremiam. Não de frio, mas de um acúmulo brutal de emoções que eu não conseguia mais conter nem organizar. A discussão ainda reverberava dentro de mim, cada frase do Lorenzo repetindo como um martelo insistente, esmagando defesas que eu construí com tanto esforço ao longo de dois anos.
“Você tirou isso de mim.”
“Eu perdi tudo.”
“Eu não te reconheço mais.”
Fechei os olhos com força, como se isso pudesse silenciar as lembranças. Não adiantou.
O que me dilacerava não era apenas a ameaça — que, no fundo, eu não acreditava completamente que ele fosse cumprir —, mas a dor nua que eu vi n