Capítulo 128 — Que emoção...

Helena Narrando…

30 dias depois

Eu achava que o tempo tivesse parado no dia em que deixei a V-Tech. Naquele instante em que entrei no táxi com o Guilherme, com a respiração curta e o coração tentando sobreviver ao próprio peso. Mas o tempo… ele nunca para. Ele só segue. Só arrasta a gente junto, queira ou não.

Trinta dias.

Trinta noites procurando ar em meio ao silêncio.

Trinta manhãs lutando para levantar da cama não por mim, mas por alguém que ainda nem nasceu.

A vida aqui em Nova Iorque tem sido uma reconstrução constante. Cada passo é um lembrete de que nada voltou ao lugar — e talvez nunca volte. Mas, surpreendentemente, eu ainda estou de pé.

Naquele dia, quando o Guilherme me mandou mensagem, a ideia que eu tive foi: Pedir pra ele, se eu poderia ir embora com ele, eu precisava sair da Califórnia, e ele foi a minha ponte pra isso.

Lembro com nitidez da sensação dentro do carro, no caminho do aeroporto, naquele dia. O cheiro de couro, o vidro meio embaçado, as minhas mãos tremendo
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