Helena Narrando…
Eu ainda estava ali, sentada naquele tapete macio, como se o chão tivesse virado uma extensão dos meus pensamentos — tudo quente, vivo, acelerado demais. Lorenzo não desviava os olhos de mim. Era impressionante como ele conseguia olhar direto, firme, sem medo do que poderia encontrar.
E sem medo do que isso causava em mim.
Meu coração estava dando pequenos pulos dentro do peito, como se tivesse acabado de descobrir um jeito novo de existir. O vinho já deixava minha pele mais quente, minhas bochechas coradas e uma leve tontura boa na cabeça. Não era o tipo de tontura que assusta — era aquela que faz tudo parecer mais solto, mais verdadeiro, mais corajoso.
E quando ele disse “Eu era isso. Até você aparecer.”…
Eu simplesmente perdi o ar.
Fiquei olhando pra ele, tentando entender se aquilo era real. A forma como ele respirava mais fundo quando me observava… a forma como o maxilar dele tensionava quando eu hesitava… a forma como a voz dele ficava mais baixa qua