Início / Máfia / USURPADORAS: Em seu Lugar / Eu repito. Eu não sou Layla, mas sim sua irmã gêmea.
Eu repito. Eu não sou Layla, mas sim sua irmã gêmea.

—Eu repito. Eu não sou Layla, mas sim sua irmã gêmea. Maya. Ela falou de mim, não falou? — pergunto, já sabendo a resposta. Layla só fala de si mesma, e olhe lá.

Ele solta uma maldição em árabe que soa estranhamente sexy e avança.

—É verdade! —grito e me afasto, o que o faz parar.

Seus olhos me esquadrinham com a intensidade de um fiscal da alfândega. Ele analisa meus úmidos cabelos dourados (idênticos aos da fugitiva) e desce pelo meu caftan preto com dourado. Um caftan que, molhado, se transformou em um convite indecente. Ótimo. Layla não só me deixou a dívida, mas também o figurino.

Seus olhos ficam mais escuros e ele dá um sorrisinho de canto de lábios. O sorriso de quem pensa ter pego a mentirosa no flagra.

—Você pensa que me engana, Layla? Conheço seu jogo.

Allah! Clamo no meu coração quando vejo que meu vestido está colado ao meu corpo, revelando todas as minhas formas. A única coisa que ele conhece é o jogo de sedução da minha irmã, e eu acabei de ser escalada para o papel principal.

Eu o encaro assustada.

—Somos idênticas! —digo quase sem ar, o coração disparado. Devo estar branca como um papel.

Ele me olha agora como um touro vendo um pano vermelho sendo agitado para ele. A metáfora é perfeita: ele é o touro, eu sou o pano, e Layla é o toureiro que fugiu.

Ele avança.

Eu dou um passo para trás e bato com minhas pernas no braço do sofá. Rashid pega meus braços e quase tira meus pés do chão. O saco de pão, a chave e o lenço se soltam e caem. Adeus, pães fresquinhos. Olá, sequestro internacional.

—Chega! Você não me engana mais.

Afetada pelo seu majestoso rosto tão perto do meu, seu hálito cálido batendo no meu rosto, eu digo num fio de voz:

—Mas é verdade!

Seus lindos olhos negros fixam-se nos meus por um momento, pensativos. Depois correm novamente pelo meu rosto, param na minha boca, passa seu polegar pelos meus lábios (o que é totalmente desnecessário e incrivelmente eficaz), então seus olhos procuram os meus novamente.

—Fez de tudo para me conquistar. Pude ver em seus olhos ambiciosos o que desejava de mim. Se compromete comigo e sai da minha vida, deixando apenas um bilhete?

Tocada pelas suas palavras, pisco e olho para ele sem falas por um momento. Rashid parece perceber o quanto fiquei abalada. Ele está genuinamente magoado. E eu estou genuinamente me sentindo culpada pelo crime da minha irmã.

—Rashid...—digo num fio de voz.

—Ainda que me olhe com esses olhos inocentes, não haverá misericórdia para você. Voltará comigo para o Egito e ficará comigo até eu dizer chega.

Egito?

Eu me desespero.

Droga! Seus dedos parecem algemas no meu braço e eu não consigo me libertar!

—Solte-me, Rashid, por favor. Você está cometendo um grande erro! Sou Maya! Somos idênticas. Você precisa acreditar em mim.

Ele fica paralisado, a boca entreaberta com sua respiração ofegante batendo no meu rosto.

—Prove-me!

Eu paro de me debater e o encaro sem falas por um momento. Como provar? Layla levou meus documentos.

—Eu... tenho uma vizinha. Posso chamá-la. Ela viu quando Layla deixou a casa. Ela pode te explicar tudo.

Rashid fica calado por um tempo, parece a ponto de aceitar minha palavras, mas então seus olhos focam a alça da minha pequena bolsa. Ele se afasta e a saca do meu corpo. Retira minha carteira de dentro dela, abre e puxa o documento para fora. O nome de Layla brilha como um letreiro de neon.

—Layla Mubarak Mesbah. Você deve me achar um idiota mesmo! — diz ele, e eu concordo mentalmente. Não com ele, mas com a Layla, que me achou idiota o suficiente para cair nessa.

—Eu tenho uma explicação para isso!

Seus olhos endurecem nos meus de tal forma que ele me deixa sem ar.

Allah! Ele parece que vai me bater. Ou me sequestrar. O que, vindo dele, é quase a mesma coisa.

Assustada, sem tirar meus olhos dele, desvio meu corpo do braço do sofá e ando para trás o quanto posso dele, mas bato minha bunda na quina da mesa de quatro cadeiras da minha cozinha americana.

—Eu...

Ele me corta:

—Não! Não diga nada. Não complique as coisas. Não me tire do sério. Assuma logo as consequências do que fez! É isso que eu espero de você. —diz tudo com grande ira e depois solta um palavrão em árabe.

Com o coração a mil por hora, fico olhando para ele quase sem ar. Percebo que não há outro jeito. A vida me deu um limão, e esse limão é um Sheik furioso e lindo. É hora de assumir o papel da minha irmã e dar um ponto final nisso tudo. Ou, pelo menos, um começo. Layla, você me deve uma vida. E um palácio.

Respiro fundo e uso a minha voz mais firme, igual à que uso como professora:

—Tudo bem, Rashid. Sou Layla e admito que errei quando saí de sua vida daquele jeito. Não deveria ter feito isso. Mas entrei em desespero quando vi que não me encaixaria em sua vida. Pronto! É isso que quer? Um pedido de desculpas pelo que fiz?

Seus olhos endurecem nos meus e ele dá um sorriso de canto de lábios, que para mim pareceu perverso.

—Espera aí! Você acha mesmo que um pedido de desculpas serve?

—Não serve? O que quer de mim então? Que eu me ajoelhe e beije seus pés?

—Até que não seria má ideia. —ele diz maldoso, e eu reviro os olhos internamente. —Mas o que quero vai muito além disso. Quero uma retratação.

—Retratação?

—Você voltará comigo para o Egito e sairá da minha vida quando eu disser. Eu preciso de você.

—Como?

—Você sabe! Não me tira do sério.

Valente, devagarinho avanço em sua direção.

—Rashid. Eu não sou mulher para você. Não acha que é hora de ambos seguirmos nossas vidas? Seus pais devem estar dando pulos de alegria por eu ter saído de sua vida. Não entendo no que precisa de mim.

Rashid corta nossa distância num segundo e seus dedos se fecham nos meus braços, puxando contra seu corpo perfumado e quente. Ele desce seu rosto e sua língua desliza sobre o lóbulo da minha orelha. Diz com rouquidão nela:

—Eu não contei a eles que fugiu de mim, habibi. Eles pensam que um parente seu ficou doente e por isso voltou às pressas para casa. Hum, mudou de perfume? Prefiro este.

Eu me debato.

—Solte-me, Rashid, por favor.

Ele segura meu rosto entre suas mãos e o ergue para ele.

—Olhe bem para mim. Você viajará comigo para o Egito. Quer queira ou não. Como eu já disse, não haverá misericórdia para você.

Imediatamente sinto uma grande fraqueza nas pernas. Meu coração troveja dentro de meu peito em desespero.

—Rashid, se quiser posso me ajoelhar na sua frente pedindo perdão pelo que fiz, mas não me leve para o Egito, por favor. Não pode simplesmente me perdoar?

Ele me olha impassível, controlado, então, seus olhos mudam e ficam ardentes nos meus de tal forma que me faz perder o ar, as falas.

Ana bihajat 'iilayk— sua confissão em árabe me atinge como um raio.

Precisa de mim....

Por que ele precisa de mim?

Como assim ele precisa de mim?

O que ele quis dizer com isso?

—Pra quê? —pergunto num fio de voz, trocando o drama pelo pragmatismo.

Seus olhos se tornam frios.

—Você brincou com fogo, Layla. Não deveria ter feito o que fez —ele respira fundo como se precisasse disso e me solta—você voltará comigo, nem que eu te leve à força.

Eu o olho com os lábios entreabertos, chocada com sua obstinação. O rosto dele endurece ante minha perplexidade.

Agora entendo por que Layla saiu daqui apressadamente. Não há sombra de variação nele. Está disposto a me levar com ele para o Egito de qualquer jeito. E eu, a gêmea responsável, acabei de ser sequestrada pelo ex-noivo bilionário da minha irmã. Maktub, seu cínico.

Reprimindo minha vontade de gritar, digo:

—Rashid, como viu, eu não sirvo para você. O que vai querer com uma mulher como eu? Você merece alguém melhor. Tipo a Nádia, que não simula quedas para te beijar.

—Eu sei exatamente o que quero. E agora eu tenho.

Ele pega o celular e disca um número.

—Sim, prepare o jato. Estamos voltando para casa.

Eu o encaro, aterrorizada.

—Você não pode fazer isso!

Ele sorri, e desta vez o sorriso é de triunfo.

—Posso. E vou.

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