Mundo de ficçãoIniciar sessãoSophia / Elena
A imagem explodiu na minha mente com clareza brutal, não era fragmento confuso, era memória vívida, real, tão intensa que podia sentir cada sensação.
Alexander estava próximo demais, olhos azuis escuros de desejo fixos em mim com intensidade que me derretia, cabelos pretos levemente bagunçados, respiração pesada contra minha pele, suas mãos grandes segurando meu rosto com reverência e paixão ao mesmo tempo.
Ele me beijou, seus lábios capturaram os meus com fome desesperada, possessiva, língua invadindo minha boca explorando cada canto, dentes mordiscando meu lábio inferior, eu suspirei contra ele sem controle, minhas mãos subindo pelos seus ombros até se enterrarem em seus cabelos puxando ele mais perto.
Ele desceu deixando trilha de beijos úmidos pelo meu maxilar, chegou ao meu pescoço, mordeu suavemente a pele sensível fazendo meu corpo inteiro estremecer, subiu até minha orelha, mordeu o lóbulo devagar, provocante, então sussurrou rouco contra meu ouvido:
— Você é minha.
Sua respiração quente enviando arrepios por toda minha espinha, as palavras carregadas de possessividade absoluta.
— Alexander — sussurrei seu nome como súplica desesperada, minhas unhas arranhando levemente suas costas por cima da camisa, querendo mais, sempre mais.
Ele voltou para minha boca me beijando com intensidade que tirava meu fôlego, como se estivesse tentando me consumir completamente, me marcar como dele para sempre, havia possessividade naquele beijo, desejo profundo, mas também algo mais, algo intenso demais que não conseguia nomear.
A visão terminou tão abruptamente quanto começou, voltei à realidade ofegante, tremendo completamente, mãos ainda segurando a xícara com força que deixou dedos brancos, olhei ao redor da cozinha vazia tentando me orientar, meu corpo inteiro estava em chamas, coração batendo descontrolado, respiração irregular, podia ainda sentir o fantasma daqueles lábios nos meus, daquela boca no meu pescoço, dos dentes mordendo minha orelha, daquela voz rouca sussurrando que eu era dele.
E então a realização me atingiu como trem em alta velocidade, meu Deus, eu não imaginava que a verdade seria tão pesada, tão devastadora, eu era uma destruidora de lares, me metendo no casamento dos outros, me envolvendo com um homem comprometido e ainda por cima pai de um lindo menino de cinco anos.
O horror se instalou no meu peito como veneno se espalhando, minhas pernas falharam, precisei me apoiar na bancada para não cair, náusea subiu pela minha garganta, eu era uma pessoa terrível, como pude ser tão egoísta, tão cruel, me envolver com homem casado sabendo que ele tinha esposa e filho esperando em casa.
A esposa, Sophia, aquela mulher linda e elegante das fotos, ela devia ter descoberto, claro que descobriu, deve ter sido ela quem mandou me matar, tinha todo direito, eu invadi sua vida, me envolvi com seu marido, que tipo de pessoa faz isso, que tipo de mulher se relaciona com homem de outra.
Lágrimas queimaram meus olhos, coloquei a xícara na pia com mãos tremendo incontrolavelmente, peguei minha bolsa quase correndo, precisava sair dali imediatamente, não podia ficar mais um segundo naquela casa, como olharia para Benjamin amanhã sabendo que havia me envolvido com o pai dele, colocado em risco sua família.
Saí pela porta dos fundos evitando o hall principal, o ar frio da noite me atingiu como bofetada mas nem senti realmente, chamei táxi com dedos tremendo tanto que errei o número duas vezes antes de conseguir, esperei na calçada abraçando meu próprio corpo, olhando para aquela mansão imponente iluminada.
O táxi finalmente chegou, entrei dando endereço do apartamento de Ethan em Tribeca com voz rouca que mal reconheci como minha, o motorista tentou puxar conversa mas desistiu após minhas respostas monossilábicas, passei o trajeto inteiro olhando pela janela sem ver realmente nada, minha mente rodando aquela memória repetidamente, analisando cada detalhe, buscando alguma justificativa que não existia.
Não havia justificativa, não havia desculpa, eu tinha me envolvido com homem casado, ponto final, não importava as circunstâncias, não importava se havia sentimentos envolvidos, era errado, imoral, destrutivo.
Cheguei no prédio em Tribeca pouco depois das nove, o porteiro me cumprimentou educadamente, subi no elevador privativo, durante o dia Ethan e eu havíamos trocado mensagens, ele contando sobre a cirurgia de emergência que correu bem, eu dizendo que o primeiro dia com Benjamin havia sido bom, nenhuma menção a Alexander, nenhuma menção aos sentimentos confusos, muito menos à memória devastadora.
Quando entrei no apartamento estava escuro e silencioso, Ethan ainda não havia chegado, peguei meu celular enviando mensagem rápida avisando que estava em casa, ele respondeu quase imediatamente dizendo que chegaria em breve, perguntando se eu estava bem.
"Estou bem, só cansada, vou dormir" menti digitando rapidamente antes de conseguir mudar de ideia e contar tudo.
Não podia contar a Ethan, não ainda, precisava processar primeiro, entender o que aquela memória significava, se era começo ou fim, se havia mais escondido nas profundezas da minha mente bloqueada.
Subi as escadas até meu quarto, joguei a bolsa em qualquer lugar, tirei a roupa deixando cair no chão sem cuidado, entrei no banheiro ligando o chuveiro na temperatura mais quente que consegui suportar, entrei embaixo da água deixando ela queimar minha pele, queria lavar aquela memória, aquela sensação, aquela vergonha que me consumia.
Fiquei ali até água esfriar, até minha pele ficar vermelha e sensível, então saí me enrolando em toalha macia, olhei para meu reflexo no espelho embaçado, aquela mulher loira de olhos azuis tristes me encarando de volta, quem era eu realmente, que tipo de pessoa era capaz de se meter no casamento alheio.
Vesti um pijama de algodão que Ethan comprara, calcinha confortável, não me incomodei com sutiã, sequei o cabelo rapidamente apenas para não dormir molhada, escovei os dentes mecanicamente olhando para o nada.
Deitei na cama encarando o teto na escuridão, puxei as cobertas até o queixo mas não adiantou, continuava sentindo frio que vinha de dentro, frio que nenhum cobertor conseguiria aquecer.
Minha mente não conseguia parar, rodando aquela memória, a forma como Alexander me beijou, como segurou meu rosto, como sua boca desceu pelo meu pescoço me provocando, como mordeu minha orelha e sussurrou que eu era dele, havia emoção profunda ali, tinha certeza, não era apenas atração casual, mas isso tornava tudo ainda pior, sentimentos por homem casado era ainda mais destrutivo.
E o pior, o absolutamente pior, era que mesmo sabendo que era errado, mesmo sentindo culpa consumindo minha alma, a lembrança daquele beijo ainda fazia meu corpo reagir, meu coração ainda havia disparado quando Alexander entrou naquela cozinha hoje, o toque acidental de seus dedos nos meus ainda havia enviado eletricidade por todo meu corpo.
Eu estava condenada, presa em ciclo vicioso de atração e culpa, horror e confusão, não sabia como trabalharia naquela casa todos os dias sabendo o que havia acontecido entre nós.
E Benjamin, aquele menino doce e inocente que já amava, como explicaria se ele descobrisse que eu havia me envolvido com o pai dele, colocado sua família em risco.
Onde estava Sophia agora, a esposa, será que havia me perdoado, será que por isso me contratou sem saber quem eu era, ou será que sabia e estava planejando alguma vingança elaborada, me queria perto para me destruir lentamente.
As perguntas não tinham respostas, apenas geravam mais perguntas, mais confusão, mais angústia, virei de lado abraçando o travesseiro, lágrimas finalmente escapando silenciosas molhando o tecido macio.
Ouvi a porta do apartamento se abrindo lá embaixo, passos de Ethan subindo devagar tentando não fazer barulho, ele parou na frente da minha porta, vi a sombra dele pela fresta embaixo, ficou ali por longos segundos provavelmente debatendo se deveria entrar verificar se eu estava bem, finalmente ele se afastou indo para seu próprio quarto.
Parte de mim queria chamá-lo, contar tudo, buscar conforto em seus braços gentis, mas não podia, não merecia seu conforto, não quando havia feito algo tão terrível, não quando era pessoa que se metia nos casamentos dos outros.
Fechei os olhos forte tentando forçar o sono, mas minha mente continuava rodando, mostrando aquela memória repetidamente, Alexander me beijando com aquela intensidade avassaladora, me fazendo sentir coisas que nunca deveria ter sentido.
Dormi eventualmente de exaustão pura, mas meus sonhos foram atormentados, confusos, cheios de imagens fragmentadas de beijos desesperados, mãos se agarrando, culpa esmagadora, e aqueles olhos azuis penetrantes me perseguindo até nas profundezas do sono sem descanso.







