CAPÍTULO 4: Primeiro Encontro

Sophia / Elena

Alexander Reynolds permaneceu parado na entrada do playroom, seus olhos azuis intensos me estudando de forma que fez meu coração disparar, ele era ainda mais imponente pessoalmente, a presença dele ocupava todo o espaço sugando o ar, alto demais, ombros largos sob terno grafite impecável, cabelos pretos perfeitamente penteados, mandíbula forte, e aqueles olhos penetrantes que pareciam ver através de mim arrancando cada segredo.

— Pai, você chegou cedo hoje! — Benjamin gritou empolgado nos braços dele.

Alexander desviou o olhar de mim, focou toda atenção no filho, seu rosto severo se suavizou completamente, surgiu sorriso genuíno que transformou suas feições duras, beijou o topo da cabeça de Benjamin com ternura óbvia.

— Consegui sair mais cedo, pensei em jantar com você — disse com voz grave que enviou arrepio involuntário pela minha espinha, então seus olhos voltaram para mim brevemente — Oi, seja bem-vinda.

Foi só isso, cumprimento educado e distante, colocou Benjamin no chão, bagunçou os cabelos dele carinhosamente, disse algo sobre se arrumar para jantar, saiu sem olhar para trás, passos firmes ecoando até sumirem.

Fiquei parada sentindo algo estranho se instalando no peito, aquele homem me impactou de forma inexplicável, houve medo sim, algo visceral quando nossos olhos se encontraram, meu corpo gritou perigo como se reconhecesse ameaça mortal, mas ao mesmo tempo, o mais perturbador, senti atração inegável, magnética, impossível de ignorar, a forma como ele se movia com confiança absoluta, como sua voz grave reverberou dentro de mim, como foi terno com o filho mostrando faceta suave sob aquela dureza.

Balancei a cabeça afastando pensamentos absurdos, ele era casado, pai do menino que eu cuidava, meu empregador, não podia pensar assim sobre ele, era errado em todos os níveis, mas meu corpo não ligava para lógica ou moralidade.

— Elena, quer ver minha coleção de carrinhos? — Benjamin me puxou pela mão — Tenho mais de cinquenta, alguns têm controle remoto!

Passei a hora seguinte vendo seus tesouros, falávamos misturando inglês, francês e italiano, ele adorava quando eu o corrigia, ria quando eu exagerava sotaque fazendo vozes engraçadas.

Às seis horas Margaret a governanta apareceu.

— Benjamin, hora do jantar, seu pai está esperando.

— Já vou! — ele respondeu animado — Você vai embora?

— Vou esperar você voltar para me despedir — prometi sorrindo.

Ele desceu correndo, fiquei organizando brinquedos, meu horário havia terminado mas não conseguia ir sem me despedir, às seis e meia ouvi passinhos subindo correndo, Benjamin voltou mais animado ainda.

— Papai me deixou comer sobremesa primeiro! Agora vou tomar banho, você me ajuda?

Como recusar, segui ele até seu quarto enorme decorado em azul marinho e branco, cama com dossel, estantes cheias de livros e brinquedos, ajudei no banho, rimos enquanto fazia barba de espuma, vesti ele no pijama de flanela com astronautas.

— Quer que eu leia uma história? — ofereci vendo ele bocejando.

— Sim! Em francês!

Li sobre pequeno príncipe viajando entre planetas, minha voz suave em francês fluindo naturalmente, antes de terminar sua respiração ficou pesada e regular, estava dormindo profundamente, bochechas rosadas, expressão tranquila, tão lindo e inocente que meu coração apertou.

Beijei sua testinha, apaguei a luz deixando abajur aceso, saí fechando a porta devagar, olhei para o relógio, passava das sete e quinze, mais de hora além do horário.

Desci devagar, a mansão estava silenciosa, meu estômago roncou lembrando que não havia comido desde manhã, nervosa demais para aceitar almoço.

A cozinha estava vazia, impecavelmente limpa, aço inoxidável reluzente, bancadas de mármore escuro, ilha central enorme, funcionários provavelmente já haviam ido para seus quartos após servir os patrões, perfeito, poderia fazer café rápido e ir embora.

Encontrei xícaras de porcelana fina, cafeteira italiana sobre fogão, café moído em lata importada, comecei a preparar automaticamente, o ritual reconfortante, familiar de forma inexplicável.

Estava esperando água ferver quando ouvi passos, virei instintivamente, Alexander Reynolds parado na entrada, havia trocado terno por calça social preta e camisa branca com mangas dobradas mostrando antebraços fortes, primeiros botões abertos revelando pele bronzeada, cabelos levemente bagunçados como se tivesse passado mãos várias vezes, relaxado mas ainda intimidador.

— Ainda aqui? — perguntou com voz grave, curiosidade não acusação.

— Ben estava empolgado mostrando brinquedos, depois jantou, tomou banho, quis que eu lesse história, acabou dormindo — expliquei nervosa, mãos tremendo — Desculpe, já estou indo, só quis tomar café antes.

Ele caminhou até ilha central ficando próximo demais, senti o cheiro dele, amadeirado masculino com toque cítrico, intoxicante, pegou outra xícara, movimentos controlados, elegantes.

— Você se importa de fazer um para mim também? — pediu, autoridade natural na voz.

— Claro, sem problemas.

Quando cafeteira apitou preparei as xícaras, mãos trabalhando automaticamente, peguei açúcar, coloquei duas colheres na dele, adicionei leite, mexi cuidadosamente, só então percebi, congelei completamente, como sabia como ele gostava, por que preparei automaticamente daquele jeito sem perguntar.

Estendi a xícara com mãos trêmulas, Alexander pegou devagar, levou aos lábios, tomou gole, parou completamente imóvel, olhos azuis se arregalaram levemente estudando xícara e depois me estudando com intensidade perturbadora.

— Como você sabe como eu gosto do meu café? — perguntou com voz baixa, perigosa, algo afiado que fez meu coração parar.

Minha mente entrou em pânico, pensei rápido.

— Eu... ouvi as empregadas comentando mais cedo — menti tentando soar casual — Quando vim conhecer a casa, elas estavam preparando café e uma comentou com outra que o senhor gosta com duas colheres de açúcar e leite, prestei atenção sem querer.

Ele me observou por longos segundos como tentando decidir se acreditava, finalmente assentiu, tomou outro gole.

— Ficou perfeito — admitiu, algo estranho na voz.

— Obrigada — murmurei tomando gole do meu apenas para ter algo para fazer com mãos.

— Quer que meu motorista te leve para casa? — ofereceu terminando café — Está escuro lá fora.

— Não precisa, vou de táxi, não quero incomodar.

Ele deu de ombros, virou para sair, então se aproximou para colocar xícara diretamente na minha mão já que eu estava perto da pia, por fração de segundo seus dedos roçaram os meus, toque rápido demais, acidental, ele nem pareceu notar, apenas saiu da cozinha.

Mas eu senti, Deus como senti, o toque foi como choque elétrico percorrendo meu braço inteiro, e então aconteceu, minha visão escureceu por um segundo, uma imagem flash explodiu na minha mente com força avassaladora.

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