Victória olhava para aquela pintura inacabada, mas não ficava em nada exatamente. Diante dela estava uma tela com o que seria provavelmente a última pintura de Clear. Era uma pintura abstrata; cores em tons de violeta, azul royal, preto e vinho preenchiam a tela até uma metade diagonal, enquanto a outra permanecia em branco...
Victória prestou um pouco mais de atenção e percebe que Claro já havia deixado sua marca na tela, o que a fez questionar se a pintura estava realmente inacabada ou se aquele quadro era uma mensagem de como Clear se sentia depois de todas as ondas que a atingiram sem nenhum aviso.
O telefone vibrou em sua mão, enquanto ela segurava firmemente a xícara de chá servida por Cecília na outra. Ela olhou para a tela do aparelho e suspirou, sentindo-se um pouco aliviada.
— Olá, meu querido... — atendeu a chamada com a voz embargada, cheia de carinho, ternura, tristeza e cansaço; mas ainda assim, falar com ele sempre trazia-lhe certa paz.
— Deveria estar dormi