O escritório de Caio Moretti, mergulhado na penumbra da madrugada paulistana, era o cenário perfeito para os fantasmas que ele tentava enterrar sob pilhas de relatórios financeiros. Ele girou a poltrona em direção à janela, observando o asfalto molhado lá embaixo, mas sua mente não estava no presente. O cheiro do uísque em seu copo, um malte caro e defumado, subitamente o transportou para uma biblioteca revestida de carvalho, há quase trinta anos. O cheiro de papel antigo e o som abafado de uma