Lua ajustou pela enésima vez a saia lápis preta que abraçava seus quadris como uma segunda pele. Eram quase seis da tarde, o sol de fim de expediente já se punha atrás dos prédios de vidro do centro financeiro de São Paulo, pintando o escritório amplo de Salvio com tons alaranjados e dourados que contrastavam com a decoração fria e masculina: móveis de madeira escura, estantes cheias de relatórios encadernados, um sofá de couro preto no canto e a imensa mesa de mogno onde ele reinava como um re