A segunda-feira amanheceu com um céu de contos de fadas, de um azul tão límpido que parecia ofensivo diante da destruição que estava prestes a ocorrer. No alto da colina de Santa Teresa, o ar estava carregado de uma eletricidade estática que fazia os pelos dos braços de Claire Thorne se arrepiarem. À sua frente, a mansão dos Valente — aquele monumento à vaidade, construído com o suor de fraudes e o silêncio de vítimas — estava cercada por faixas amarelas de isolamento. Não havia compradores de luxo, não havia fotógrafos de revistas de arquitetura, nem os convidados de gala que outrora desfilavam por aqueles jardins. Havia apenas o rugido monótono de uma escavadeira hidráulica, cujo braço de metal se erguia contra o sol como o martelo de um juiz implacável.
Claire estava parada a uma distância segura, uma silhueta elegante e inquebrável. Usava óculos escuros que escondiam a tempestade em seus olhos âmbar e um casaco leve que o vento da manhã agitava suavemente. Arthur estava ao seu